A seguir o depoimento de Pedro Rios Leão.
Indignado com os acontecimentos de Pinheirinho, Pedro decidiu ir para São José colher os depoimentos dos moradores sobreviventes que foram expulsos,desmoralizados, humilhados, violentados pelo Estado. Após sua denuncia (ver seu filme, no YouTube: "Eu queria matar a presidenta"), Pedro decidiu fazer greve de fome em frente à Rede Globo (RJ), procurando ampliar a divulgação dos fatos, gerar um debate e principalmente uma investigação séria e honesta em torno do massacre!
"Meu nome é Pedro, e vocês ouviram bastante a minha voz durante esses depoimentos. Já se passaram dois dias da última filmagem que eu fiz, mas eu ainda estou tremendo; bastante nervoso. Durante a minha estadia em São José, enquanto fui investigar essas barbaridades, eu me tornei também testemunha de uma guerra aberta, descarada, do Estado Brasileiro contra cidadãos que mais precisam da ajuda desse Estado. Por isso eu gostaria de encerrar esse filme-denuncia com o meu depoimento.
Não se iludam amigos. Essa não é uma questão jurídica. A lei não chegou perto de São José. A lei foi quebrada, de formas tão variadas, tão amplas e violentas, que não existe palavra para começar um debate com quem negue a barbárie de Pinheirinho. Isso foi uma declaração de guerra: do dinheiro contra as pessoas. Uma batalha lançada pelos braços armados do Estado de São Paulo com certeza de vitória e impunidade. Não existe desculpa processual que justifique o que aconteceu. Principalmente o silêncio do governo federal que foi afrontado e tem plena ciência dos fatos. Silêncio ou pior: declarações como a do Ministro Gilberto Carvalho, que após receber um assessor da presidência baleado pela Polícia de São Paulo, disse que a solução cabível era o Ministério das Cidades ajudar as pessoas a serem expulsas de casa. (Na verdade eu acho que o ministro usou o termo "realojar"). Assim, o governo federal vem fornecendo apoio total no acobertamento da chacina.
Ao invés das denúncias gerarem uma investigação séria, para punir os criminosos, o Estado derrubou em dois dias as casas dessas pessoas: com tudo dentro! Castigando ainda mais esses seres humanos e beneficiando os criminosos. Fica evidente que esses criminosos, através do dinheiro, tem tanto poder político, que podem fechar a República a qualquer momento. Todos os brasileiros, diante disso, somos postos como propriedades de uma quadrilha de banqueiros, juízes, congressistas e empresários que há algum tempo compraram o Estado. Se em algum momento eles quiserem rasgar a lei e pegar a nossa pele para fazer tambor, eles farão e vão mandar a própria polícia - com a qual contamos para prendê-los e nos defender.
Hoje existem dois países inimigos dentro do Brasil: o país dos Naji Nahas e o país dos pinheirenses. Eu sou do país dos pinheirenses e me sinto inseguro, desmoralizado, ameaçado e em estado de guerra - como esses amigos de Pinheirinho. Dói profundamente ver o silêncio de uma mulher que rompeu relações com ditaduras do oriente. Uma mulher que aos 22 anos foi presa e torturada na tentativa de construir um mundo melhor. Dói saber que seu silêncio faz que ela tome parte nessa barbaridade. Pense no seu neto Gabriel, presidenta. Eu acredito que você pode perder o medo desses bandidos, porque não posso acreditar na sua colaboração consciente! Tome uma atitude, pelo amor de Deus!, e seja a presidenta do Pinheirinho. A presidenta do Naji Nahas, que mostrou as garras nessa semana, eu gostaria de ver morta. Como gostaria de ver mortos todos os criminosos do Estado inimigo, já que sem Estado não posso prendê-los. Os inimigos maiores de nossa soberania: Naji Nahas, Daniel Dantas, Paulo Maluf, Geraldo Alckmin, José Serra, José Sarney. Seus comparsas de toga: César Peluso, Gilmar Mendes, o notório engavetador geral da república Geraldo Brindeiro tinha que estar na cadeia. Toda a cúpula do PSDB... Esses homens estarem soltos, a despeito da obviedade de seus crimes, é um escárnio com o nosso sofrimento e prova maior da ditadura brasileira. Enquanto esses homens estiverem soltos, dominando o país, eu me encontro em guerra e quero vê-los mortos. Não vou obedecer uma lei que eu não acredito que exista. Essa quadrilha não deixou outra solução para o povo que não seja protestar. Esse movimento nós chamamos de revolução. Quem apóia o Naji Nahas, como disse a senhorinha, é um bandido pior do que ele, pois ele não faria nada sozinho.
E você que está me ouvindo? Qual é o seu país?"
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